Eu só tô te escrevendo, Pedro, pra avisar que o dia, mesmo cinza, parece mais bonito quando lembro que verei teus olhos à noite. Eu sei que não tem mais nada ver essas coisas de escrever carta e deixar em cima da mesa, mas eu ainda acho bonito, então, continuo te escrevendo. Sei que tu gosta de cartas, tanto quanto eu gosto de ganhar chocolate quando volto cansada do trabalho.
Aliás, faz tempo que não encontro nenhum bombom em baixo do meu travesseiro. Foi só uma coisa que eu lembrei agora, Pedro. Nada demais...
Bom, voltando ao assunto, é só pra dizer que te amo e que voltarei com as cartas.
Pode voltar com os bombons.
E obrigada por sempre colorir os meus dias, até os mais cinzas.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Obra e artista
Já passava da meia noite e o artista continuava admirando sua obra de arte. Todos sabiam que aquela era sua obra prima e entendiam a paixão do artista pelo resultado final. Entendiam que ele passasse horas adulando, cuidando, limpando, admirando e amando. Longe ou perto da obra, o artista sempre expressava seu amor.
-É a coisa mais linda do mundo - ele dizia pra quem lhe perguntasse e pra quem não perguntasse também.
Enquanto ele alisava sua obra de arte, nessa noite fria, ela abriu os olhos, o artista sorriu e disse:
-Oi, filho!
-É a coisa mais linda do mundo - ele dizia pra quem lhe perguntasse e pra quem não perguntasse também.
Enquanto ele alisava sua obra de arte, nessa noite fria, ela abriu os olhos, o artista sorriu e disse:
-Oi, filho!
terça-feira, 26 de abril de 2016
Agradecimento aos tomates
Eles se conheceram escolhendo tomates. Lembro dos dois perfeitamente. Ela estava com uma sacola com dois tomates em uma das mãos e a testa franzida porque não encontrava quase nenhuma fruta* que lhe agradasse. Ele veio com a sacola vazia e bateu o ombro no dela, pediu desculpas, ela sorriu desajeitada, pega de surpresa.
Os dois conversaram sobre o frio que fazia e sobre como os tomates da semana não estavam bons. De repente, descobrem que são vizinhos, moram na mesma rua e as empresas onde trabalham são no mesmo bairro. Sorriem e combinam de ir escolher mamão depois de terminarem de encher as sacolas dos tomates. Eu abro um sorriso e espero que venham até mim para que eu pese as frutas. Os dois são educados, dão boa tarde, sorriem e agradecem. Saem do meu alcance falando que o mamão estava bem melhor que o tomate, realmente.
Acho que ouço ele dizer algo sobre dar uma carona pra ela, afinal, moram na mesma rua. Não ouvi a resposta dela. Mas agora, alguns anos depois, todo o final de semana, eu peso os tomates e o mamão que os filhos deles trazem até mim.
*Sim, caro leitor, tomate é uma fruta, pasme.
Os dois conversaram sobre o frio que fazia e sobre como os tomates da semana não estavam bons. De repente, descobrem que são vizinhos, moram na mesma rua e as empresas onde trabalham são no mesmo bairro. Sorriem e combinam de ir escolher mamão depois de terminarem de encher as sacolas dos tomates. Eu abro um sorriso e espero que venham até mim para que eu pese as frutas. Os dois são educados, dão boa tarde, sorriem e agradecem. Saem do meu alcance falando que o mamão estava bem melhor que o tomate, realmente.
Acho que ouço ele dizer algo sobre dar uma carona pra ela, afinal, moram na mesma rua. Não ouvi a resposta dela. Mas agora, alguns anos depois, todo o final de semana, eu peso os tomates e o mamão que os filhos deles trazem até mim.
*Sim, caro leitor, tomate é uma fruta, pasme.
terça-feira, 19 de abril de 2016
Mais de meia hora
Era uma confusão de sons, de cheiros e de luzes. Os motores grunhiam, as rodas passavam e eu olhava ao redor. Tinha gente pra mais de metro, como diriam os antigos. Muitas se abraçavam, outras se beijavam e umas berravam "rodoviária, última parada!". E eu te procurava. Fazia meia hora que eu estava ali, de pé, procurando em cada par de olhos os teus.
Eu tinha chegado um pouco antes, é bem verdade, mas sempre me disseram que é deselegante fazer outra pessoa esperar. Mas, mesmo assim, eu esperava. Nunca fiz os outros esperarem, porém eu estava ali, te esperando fazia mais de meia hora.
De repente eu senti um sobressalto. Não tinha confirmado tua vinda e se não fosse hoje? Fosse no outro feriado? E se tu tivesse desistido de vir? De mim? O que eu faria com aquele bolo de cenoura que ainda estava quente e que eu prepara pra ti? O bolo eu comeria, mas e o aperto no peito? A gente engole com lágrimas? Não sei. Não sabia o que fazer. E nem saberia.
Porque quando achei que meu peito ia rachar de angústia tu veio.
Vi teus olhos entre malas, ombros, costas de outras pessoas. Aí eu soube certinho o que fazer com o bolo de cenoura, com o meu coração batendo forte e com os meus pés que começaram a correr em tua direção.
Mas a quanto tempo eu estava ali? Fazia bem mais de meia hora. Dane-se! Finalmente a espera terminara.
Eu tinha chegado um pouco antes, é bem verdade, mas sempre me disseram que é deselegante fazer outra pessoa esperar. Mas, mesmo assim, eu esperava. Nunca fiz os outros esperarem, porém eu estava ali, te esperando fazia mais de meia hora.
De repente eu senti um sobressalto. Não tinha confirmado tua vinda e se não fosse hoje? Fosse no outro feriado? E se tu tivesse desistido de vir? De mim? O que eu faria com aquele bolo de cenoura que ainda estava quente e que eu prepara pra ti? O bolo eu comeria, mas e o aperto no peito? A gente engole com lágrimas? Não sei. Não sabia o que fazer. E nem saberia.
Porque quando achei que meu peito ia rachar de angústia tu veio.
Vi teus olhos entre malas, ombros, costas de outras pessoas. Aí eu soube certinho o que fazer com o bolo de cenoura, com o meu coração batendo forte e com os meus pés que começaram a correr em tua direção.
Mas a quanto tempo eu estava ali? Fazia bem mais de meia hora. Dane-se! Finalmente a espera terminara.
domingo, 3 de abril de 2016
Domingueira
Deitada na espreguiçadeira, Valentina se perguntava como o céu poderia estar tão azul naquele dia. Largou o livro de lado, suspirou e fechou os olhos por algum tempo. Sentiu uma saudade estranha, que ela não tinha muita certeza do quê ou de quem. Abriu os olhos rapidamente. Melhor interromper antes que cresça. Mas aí uma moleza tomou conta do corpo dela. Um relaxamento bem de domingo, depois do churrasco e o corpo foi caindo em sono leve, os braços ficando leves, o livro e o céu azul distantes.
Quando acordou o céu azul tinha mais nuvens do que antes, um beija-flor beijava umas flores vermelhas e alguém chamava por ela. Era algo referente a sobremesa. Hum, então era importante. Valentina pegou o livro, a fome e a vontade de descobrir o que era a sobremesa e entrou em casa. Ainda com o relaxamento de antes, mas sem a saudade de outrora.
Quando acordou o céu azul tinha mais nuvens do que antes, um beija-flor beijava umas flores vermelhas e alguém chamava por ela. Era algo referente a sobremesa. Hum, então era importante. Valentina pegou o livro, a fome e a vontade de descobrir o que era a sobremesa e entrou em casa. Ainda com o relaxamento de antes, mas sem a saudade de outrora.
segunda-feira, 28 de março de 2016
Outono de Anna
Quando o outono começava é que Anna podia sentir que era ela mesma. Os seus cabelos cor de folha de plátano que despenca da árvore, pareciam mais vermelhos ainda nessa época do ano. Seus olhos adquiriam um brilho novo, bem típico daqueles que tinham amor pela vida.
Anna ficava toda nova e ainda mais linda no outono. Era nessa estação que ela se fazia flor e florescia de dentro pra fora e de fora pra dentro, ela sempre se encontrara no outono.
Sorrindo, agarrada na caneca de porcelana, ela lembra da época de criança, em que rolava os cachos de fogo em cima dos plátanos caídos e os cabelos se misturavam com as folhas e faziam de Natureza e de Anna uma coisa só.
Eram impossível para ela não amar o outono, porque o outono era ela. E Anna aprendera, com o passar do tempo, a se amar.
Anna ficava toda nova e ainda mais linda no outono. Era nessa estação que ela se fazia flor e florescia de dentro pra fora e de fora pra dentro, ela sempre se encontrara no outono.
Sorrindo, agarrada na caneca de porcelana, ela lembra da época de criança, em que rolava os cachos de fogo em cima dos plátanos caídos e os cabelos se misturavam com as folhas e faziam de Natureza e de Anna uma coisa só.
Eram impossível para ela não amar o outono, porque o outono era ela. E Anna aprendera, com o passar do tempo, a se amar.
domingo, 20 de março de 2016
A caixinha
Uma caixinha em cima da mesa da cozinha fez o coração de Alice disparar. Ela era quadrada, pequena e forrada de veludo vermelho. Ah, não..., pensou ela. Olhou ao redor em busca da única pessoa que poderia ter colocado ela ali.
-Pedro? - chamou.
Nada.
-Ô, Pedro, foi tu que colocou essa caixa aqui? - tentou mais uma vez, sem resposta.
Ai, que agonia, pensou Alice. Será que era pra ela? Olhou para sua mão direita, mas será, hein?
Depois a pôs no coração. Era melhor esperar pelo Pedro. Vai que não era para ela, poderia ser um presente para mãe de Pedro, que estaria de aniversário em alguns dias.
Foi com dificuldades, passos cheios de curiosidade relutante, sentar na sala.
Quando Pedro chegou ela batia os pés com força no chão e fingia se interessar muito pelo que passava na televisão, mesmo não fazendo ideia do que era.
-Oi - ele disse.
-Oi! - ela berrou
-Tá tudo bem, Alice?
-Tá... E contigo? - continuou antes que ele respondesse- tem uma caixinha ali em cima da mesa da cozinha, acho que tu esqueceu.
-É pra ti - ele respondeu.
Um calor frio e um frio quente tomaram conta do peito da Alice. A palavra "socorro" se formou na mente dela.
Correu para abrir a caixa, quase tropeçando no tapete da sala. Quando a abriu, suspirou.
-Jura? - ela perguntou sorrindo
-Eu sabia o quanto tu queria. Eu não pude resistir quando encontrei - Pedro abriu um largo sorriso.
-Um anel do humor, finalmente! - Alice dançava pela sala segurando a caixinha aberta.
Pedro sorriu. Sabia que com aquele presente em mãos, o humor de Alice seria sempre o melhor possível, e, com certeza, esse era o melhor presente de namoro para ele.
-Pedro? - chamou.
Nada.
-Ô, Pedro, foi tu que colocou essa caixa aqui? - tentou mais uma vez, sem resposta.
Ai, que agonia, pensou Alice. Será que era pra ela? Olhou para sua mão direita, mas será, hein?
Depois a pôs no coração. Era melhor esperar pelo Pedro. Vai que não era para ela, poderia ser um presente para mãe de Pedro, que estaria de aniversário em alguns dias.
Foi com dificuldades, passos cheios de curiosidade relutante, sentar na sala.
Quando Pedro chegou ela batia os pés com força no chão e fingia se interessar muito pelo que passava na televisão, mesmo não fazendo ideia do que era.
-Oi - ele disse.
-Oi! - ela berrou
-Tá tudo bem, Alice?
-Tá... E contigo? - continuou antes que ele respondesse- tem uma caixinha ali em cima da mesa da cozinha, acho que tu esqueceu.
-É pra ti - ele respondeu.
Um calor frio e um frio quente tomaram conta do peito da Alice. A palavra "socorro" se formou na mente dela.
Correu para abrir a caixa, quase tropeçando no tapete da sala. Quando a abriu, suspirou.
-Jura? - ela perguntou sorrindo
-Eu sabia o quanto tu queria. Eu não pude resistir quando encontrei - Pedro abriu um largo sorriso.
-Um anel do humor, finalmente! - Alice dançava pela sala segurando a caixinha aberta.
Pedro sorriu. Sabia que com aquele presente em mãos, o humor de Alice seria sempre o melhor possível, e, com certeza, esse era o melhor presente de namoro para ele.
Assinar:
Postagens (Atom)